


It's tiring to kill a man.
«Swimming Pool», de François Ozon
É um dos grandes filmes do ano e, provavelmente, o melhor do cineasta francês François Ozon. Os mais primários dos adeptos do anti-americanismo (e, por imediato contraste, apologistas de tudo o que se faz na Europa e continentes vizinhos) gostarão certamente muito do cinema deste realizador francês, mas estariam a esquecer-se que a grande fonte de filmes como «8 Mulheres» e «Swimming Pool» é, precisamente, o cinema norte-americano. E se «8 Mulheres» era o revisitar glorioso dos grandes musicais clássicos americanos, «Swimming Pool» é uma arrepiante e sufocante incursão pelos labirintos «hitchcockianos» baralhados pelas coordenadas surreais de David Lynch.
A atmosfera de cortar à faca passa, antes de mais, pelas personagens. Sobretudo, pela forma como os actores dão espaço ao próximo para se manterem numa realidade sempre incerta e ambígua, a oscilar entre o que está a acontecer no real e no livro. Faz tudo parte de um todo cinematográfico que Ozon gere com um controlo cada vez mais apurado. É, também, um poderoso filme sobre a fragilidade do feminino e a necessidade de reencontrar uma relação impossível entre mãe e filha atingindo níveis de insondável ambiguidade onde já não se sabe quem sente a falta de quem. É um dos filmes mais sufocantes dos últimos tempos, mas também um dos mais comoventes.

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Tiago Pimentel
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