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«Crueldade Intolerável», Irmãos Coen
Os manos Coen sempre me pareceram uma dupla de estudantes aplicados com um conhecimento superlativo da história do cinema e de um fascínio intelectual imenso. Falta-lhes, a maioria das vezes, mais do que uma vontade lúdica de desconstruir tudo aquilo que conhecem e sabem de cinema. Acima de tudo, estão numa fase de crise de ideias, distantes da inteligência narrativa de «Fargo» ou do negrume sufocante de «Blood Simple». George Clooney volta a arrastar a sua personagem pitoresca e infeliz de «Irmão, Onde Estás?» num ingrato esforço de colagem à parte burlesca de Cary Grant, enquanto Catherine Zeta-Jones vai beber às personagens «bacallianas» (enfim, tenta...).
«Crueldade Intolerável» é uma tentativa de reconstrução contemporânea dos melodramas clássicos mas fica-se pela importação elementar de meros sinais e indícios desses filmes, resultando um cinema frágil e fragmentado. Muito pouco de orgânico habita neste último filme dos Coen - aliás a parte do discurso de Clooney (invocando o cinema de Capra) fica-se pela dimensão mais simplista e maniqueísta de um certo discurso moralista que nada favorece a riqueza humana do cinema de Capra. Os Coen estão a precisar urgentemente de um grande argumento para os estimular e abandonarem de vez estas caricaturas ridículas e falsamente despretensiosas.

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Tiago Pimentel
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