Sons
Já há alguns dias que não escrevia. Confesso que o tempo não tem sido muito, mas aqui estou de volta para assinalar a boa apresentação de Pacheco Pereira no seu espaço do telejornal da SIC. Falo concretamente do seu comentário à peça musical de John Cage e do valor que representa para a nossa relação com a musicalidade do silêncio. Para quem não viu hoje o espaço do comentador Pacheco Pereira, relembro que a peça musical em causa são cerca de 4 minutos e 10 segundos de absoluto silêncio. Ou seja, serve acima de tudo para perceber que a música nunca é uma concentração isolada de sons que nos chegam, mas antes um universo sonoro que se mistura com os nossos próprios sons (as buzinadelas dos carros lá fora, o irmão mais novo que não se cala, a casa dos vizinhos em obras, etc). Permitirmo-nos ouvir 4 minutos e 10 segundos de silêncio relança uma questão que tem menos de interesse musical em moldes tradicionais e mais de percepção humana. Que é como quem diz: sentirmos o peso do silêncio e a sua angustiante impossibilidade. Como rematou, e muito bem, Pacheco Pereira, mesmo no local mais insonorizado há sempre sons que se ouvem. Quanto mais não seja o do nosso próprio coração. É importante ouvir o silêncio de Cage e repensarmos a nossa relação com a música em geral como uma reestruturação dos nossos silêncios. Como se o silêncio fosse uma escolha nossa para, de facto, ouvirmos.
Tiago Pimentel
Já há alguns dias que não escrevia. Confesso que o tempo não tem sido muito, mas aqui estou de volta para assinalar a boa apresentação de Pacheco Pereira no seu espaço do telejornal da SIC. Falo concretamente do seu comentário à peça musical de John Cage e do valor que representa para a nossa relação com a musicalidade do silêncio. Para quem não viu hoje o espaço do comentador Pacheco Pereira, relembro que a peça musical em causa são cerca de 4 minutos e 10 segundos de absoluto silêncio. Ou seja, serve acima de tudo para perceber que a música nunca é uma concentração isolada de sons que nos chegam, mas antes um universo sonoro que se mistura com os nossos próprios sons (as buzinadelas dos carros lá fora, o irmão mais novo que não se cala, a casa dos vizinhos em obras, etc). Permitirmo-nos ouvir 4 minutos e 10 segundos de silêncio relança uma questão que tem menos de interesse musical em moldes tradicionais e mais de percepção humana. Que é como quem diz: sentirmos o peso do silêncio e a sua angustiante impossibilidade. Como rematou, e muito bem, Pacheco Pereira, mesmo no local mais insonorizado há sempre sons que se ouvem. Quanto mais não seja o do nosso próprio coração. É importante ouvir o silêncio de Cage e repensarmos a nossa relação com a música em geral como uma reestruturação dos nossos silêncios. Como se o silêncio fosse uma escolha nossa para, de facto, ouvirmos.
Tiago Pimentel
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