
Os Irmãos Grimm
Class.: 0
Um enormíssimo bocejo para a fantasia incompetente e embaraçosamente amadora de Terry Gilliam, o cientista da imagem dos Monty Python e o efabulador por trás de imaginários tão ricos como os de «12 Monkeys» ou «Brazil». O novo filme de Gilliam é um disparate cinematográfico que se leva demasiado a sério, em comparação com o insuportável overacting dos seus actores (e, nisto, Heath Ledger e Peter Stormare estão particularmente irritantes) e com uma fotografia que pretende emular ilustrações saídas de um registo pictórico de época, com tinturas de aparente magia e florestas iluminadas pela sugestão do enigmático e invisível. Mas nada disto funciona: o overacting dos actores não faz funcionar um kitsch que se pretendia divertido e hilariante (por infeliz oposição, todos os maneirismos dos actores são arbitrários, irritantes e injustificados); enquanto a fotografia é de uma incompetência embaraçosa, construída à base de dois ou três cenários de estúdio iluminados por candeeiros de quarto ou holofotes da loja dos 300. Narrativamente é uma elipse sem ideias, com um pseudo-clímax que dura uma eternidade, onde não parece acontecer nada, à excepção do aparecimento de Monica Bellucci que assume, mais uma vez, a sua presença meramente decorativa. Um filme para esquecer rapidamente e esperar que o próximo de Gilliam não complete uma espécie de trilogia sequencial de falhanços.
Tiago Pimentel
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